sexta-feira, 15 de abril de 2011
MP abre procedimento para investigar a desapropriação da sede de praia do Bahia
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) sob coordenação do Grupo Especial de Defesa do Patrimônio Público e da Moralidade Administrativa (Gepam) abriu, na quinta-feira, 14, procedimento investigativo para acompanhar as desapropriações da área do Esporte Clube Bahia na orla soteropolitana. A promotora encarregada do caso, Rita Tourinho, afirmou que o principal motivo são as informações concernentes ao processo de desapropriação que estão “desencontradas”. “As informações sobre o leilão e desapropriações não batem. Então decidimos acompanhar o até mesmo porque se diz que ali será construída a zona olímpica da Bahia”, disse a promotora, lembrando que a Transferência do Direito de Construir (transcon) possui regras específicas de uso. “Vamos acompanhar o caso”, disse Tourinho.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
RIACHO DE CAMANDAROBA
– Seu Batista, vamos comer um veado?
– Quando?
– No dia vinte e quatro.
– Onde?
– Na fazenda de painho, lá no Riacho de Camandaroba.
– Oxi! Menino, e lá tem lugar pra isso?
– Lá nós temos cinco suítes presidenciais, dois salões de festas, três salões de jogos, duas piscinas olímpicas de padrão internacional, saunas, quadras de esportes, campo de futebol, pista de atletismo, salão de ginástica... pô, se eu for falar tudo, passo é o dia e a noite...
Alexandre Pacheco, jovem empresário da cidade de Cansanção, havia estacionado a HILUX prata na frente da residência do velho amigo de infância do seu pai. Amizade antiga e muito estimada pela família. Além disso, o jovem admirava aquele homem vitorioso, aquela figura respeitável. Segundo tenente reformado da Marinha, “natural do Jatobá”; bem ali nas caatingas de Cansanção; mas que viveu no Rio de Janeiro por tantos anos, viajou pelo mundo, ancorou em tantos portos, viu tantas e tantas coisas belas em cidades da América, da Europa, da Ásia... Para o moço Alexandre, era de grande interesse mergulhar por tardes a fio em longas e proveitosas conversas com Seu Batista; ainda que negligenciando por um pouco na condução dos negócios da família. Eram momentos de ócios muito produtivos, os períodos de conversas com Seu Batista. Saber tanto do mundo, das belezas do mundo, dos encantos de terras tão distantes; mas, principalmente, das condições de sobrevivência do homem sertanejo fora do seu torrão natal. Como era possível que um homem saído das entranhas remotas da caatinga conseguisse sobreviver em outras regiões do país, marcadas por tantas formas de hostilidades ao nordestino, por tantas formas ostensivas de execração ao povo dos sertões da Bahia e ainda pudesse retornar para sua terra em condições tão favoráveis? Pois que, contrariando as narrativas da Diáspora Sertaneja, o velho homem do mar nunca falava de padecimentos, aflições, misérias. Falava de monumentos suntuosos, de espaços elegantes, de artes inebriantes, de sítios históricos extraordinários; também do Tibre, do Danúbio, do Reno. Certa feita, contou-lhe de uma viagem à Grécia em um navio-escola; de visitas aos monumentos clássicos: as ruínas do Areópago, o Templo de Apolo e o Teatro de Dionísio. Seu Batista era assim, um homem querido e respeitado por toda a população do município de Cansanção, e pelo fato de ser oficial reformado de uma força armada; muito viajado; figurava pessoa muito importante para aquela sociedade sertaneja. No entanto, para o moço Alexandre – além dos valores de amizade com a sua família – Seu Batista mais interessava por uma outra narrativa diaspórica que lhe oferecia. Pois a Diáspora Sertaneja é uma grande narrativa que interessa às elites que detém poder econômico e político no contexto social do sertão baiano. A diáspora para “fora” tanto assusta quanto amedronta às classes dominantes e abastadas do interior baiano. Portanto, migrar em busca de trabalho e melhores condições de subsistência em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso, Goiás é coisa de pobre, flagelado, miserável. A esses lugares devem ir as oligarquias sertanejas para assuntos de negócios, turismos, estudos ou tratamentos de saúde; jamais em busca da subsistência a que são levados os descamisados. Todavia, persiste uma grande curiosidade da parte dos membros dessas elites sociais quanto às experiências concretas de vida pobre de “fora” destes espaços sertanejos. Uma espécie de profilaxia da pobreza. Dessa forma, toda a pessoa levada pela enxurrada diaspórica que consegue retornar ao sertão em condições de sobreviver sem recorrer a esmolas e a favores políticos humilhantes é inquirida exaustivamente pelas hostes dominantes. Portanto, há uma cultura de escuta permanente dos relatos identitários dos filhos da exclusão. Eles são enredados em uma trama persuasiva em que, sem perceber, oferecem toda a materialidade para o aperfeiçoamento dos mecanismos de opressão com que os poderosos vão continuar fabricando miseráveis para serem lançados à vala abominável do flagelo premeditado e financiado pela barbárie capitalista.
O capitalista sertanejo de “dentro”: fazendeiro, comerciante, grileiro, latifundiário, chefe político, empresário nunca fala ao pobre de si nem de sua condição de abastado, mas da vida do pobre e do negro tem uma necessidade de leitura incisiva e quer saber minúcias do que come, de como dorme, de como se veste, de como faz sexo, enfim de que modo consegue viver, contrariando a lógica da cultura da exploração do homem pelo homem. Principalmente se ousou viver fora do contexto em que nasceu e de onde foi escorraçado para “fora” no dorso da Diáspora Sertaneja.
Pensar a diáspora neste contexto do Sertão de Canudos, interrogá-la, logo implica pensar o negro. Principalmente porque a população negra foi maioria em Canudos na era de Antônio Conselheiro e da Guerra. A própria Guerra decorreu de um movimento diaspórico. Portanto, negro e diáspora, neste contexto, são intrínsecos. Neste sertão não há negro sem diáspora, não há diáspora sem negro.
No sentido de uma leitura inexorável da Diáspora Sertaneja, a bem da verdade, pode-se afirmar que as potestades políticas e econômicas têm razão. De fato, a invenção do Sudeste do Brasil enquanto “fora” desejado e grande centro de desenvolvimento industrial e financeiro, logo representa para o Nordeste uma imensa bacia de descarte dos grandes problemas sociais e humanos que esta parte do mundo deveria enfrentar. Assim é que a fabricação de São Paulo, por exemplo, tornou-se de utilidade teleológica para as potestades dominantes do universo sertanejo do Nordeste brasileiro; ainda mais na perspectiva da absorção ou da trituração dos materiais humanos não nobres, projetados das esferas sociais do sertão do semiárido baiano para as engrenagens avassaladoras de São Paulo. Portanto, a Diáspora Sertaneja funciona como a linha divisória estabelecida entre aqueles que têm o privilégio de permanecer territorializados e os que são condenados à (des)territorialização, ao espaço de “fora”. A fronteira da exclusão define a Diáspora Sertaneja. Todavia, aqui ela também se dobra e institui um “fora”, “dentro”. Portanto, deste (des)foramento interno se encarrega a Indústria Cultural. Ela se revigora e se expande no panorama da diferença instituída no plano binário das articulações culturais, através da oposição muito sutil entre o nobre, o elegante, o sofisticado. E o grotesco, periférico, sujo, carnavalesco. Por exemplo, nas ocasiões em que as elites sociais fazem concessões a grandes demandas periféricas, promovendo festas ou espetáculos de massas, financiados com dinheiro público. Elas próprias, as elites, insistem em definir, com o trabalho da Indústria Cultural, a linha divisória que marca a diferença. Raramente uma pessoa da elite aparece no meio do espaço público em que se realiza a festa popular sertaneja. Há um resguardo estratégico. Exceto quando a situação de interesse político exige por um tempo a aparição apoteótica de alguma representação oligárquica. Neste sentido, prevalece alguma forma de manipulação, visando à promoção de alguma candidatura a cargo eletivo ou por força da presença de algum expoente da Indústria Cultural com aparição mais frequente nas mídias de maior alcance, contratado como grande atração pelo poder público, para vociferar linguagens de apelo patético às periferias sociais, sempre em tom de bajulação ridícula ao gestor do erário público que administra o financiamento do evento cultural. Então, é aí que também se institui um quadro bem delineado para ofuscar a “grande atração”, de modo que ela jamais venha a ameaçar o brilho das chamadas Pratas da Casa. Tudo é premeditado. Dessa forma, sobe ao trio elétrico ou ao palco, ao lado da “atração”, que deveria ser principal, uma jovem branca, filha, neta ou bisneta de quem detém o poder no momento e que vive na capital do estado a expensas dos cofres municipais, para “arrasar” na noite sertaneja. O fascínio pela Sinhazinha ou Patricinha branca é ainda muito pujante neste sertão. Na verdade, nos eventos culturais sertanejos a Patricinha é que é a Grande Atração; a outra somente se apresenta para contracenar com ela. E do alto em que se exibe, sob aplausos histéricos, a jovem funciona como um significado denso de poder sempre venerado, internalizado e obedecido pelas demandas sociais subalternas; inclusive o poder sensual. Lá embaixo, condicionada pelos significantes pulverizados pelos gritos estridentes do fetiche eletrônico, a galera se esbalda.
A ovação histérica à beleza branca da Patricinha leva-a a emulações extremadas. Assim, em estado de alucinação orgásmica, ela se põe a incitar o povão a extravagâncias de todas as formas. Ela mesma, também, símbolo sexual por excelência, reina sobre o Império dos Sentidos, e com requintes de sarcasmo, cinismo e sadismo ordena às meninas pobres e negras que se escravizem a orgias desregradas e que curtam a noite como se fosse a última. Afinal, é uma ordem! Além disso, a reificação da Patricinha também é uma relação de cópula no dorso da diáspora. Literalmente, ela fode a diáspora em plena festa pública, depois se retira para os ambientes sofisticados e reservados às elites onde se promovem orgias elegantes, extravagantes e requintadas, patrocinadas pelo erário público, deixando as massas submissas, no dizer bem sertanejo, do jeito que o diabo gosta. Ora, as meninas das oligarquias dominantes podem exagerar nos seus desregramentos obscenos porque contam com o apoio logístico da engrenagem econômica e financeira do Estado de Direito e Democrático para cobrir seus gastos com planos de saúde milionários, despesas com abortos, viagens para o exterior em busca de tratamentos especializados, compras de amantes, longas temporadas em espaços sofisticados de repousos e de reestabelecimentos de energias. Mas a realidade da menina pobre de periferia é assaz degradante. Essa vai padecer com as deficiências de serviços médicos humilhantes em postos de saúde de notória precariedade, e se consegue sobreviver a um parto de alto risco, realizado em condições repugnantes em algum hospital público; então; terá que assumir as responsabilidades de mãe solteira, na maioria das vezes aos treze, quatorze ou quinze anos de idade. Será que o sexo está no centro do corpo diaspórico e a Patricinha é o seu principal estopim erótico?
É oportuno ter Consciência Negra de que neste sertão da Bahia a Abolição da Escravatura, então vociferada pelo Estado, somente ocorreu em termos de discurso vazio. A escravidão mental e sexual do negro permanece tão mais perversa quanto foi a da exploração do corpo do negro enquanto força de trabalho forçado e, nesta perspectiva de dominação, continua a funcionar a lógica branca, também através de suas dimensões política, econômica, cultural, lúdica, sensual e estética. Principalmente, o poder dominante é fossilizado no imaginário lúdico do público de “baixo”.
No meio do grande público que está embaixo, há belezas negras de muito maior encanto que a encenação plástica imposta de cima, mas que ou não são percebidas mesmo pelas massas, ou são desdenhadas por mera inépcia de reconhecimento do que é mais peculiar. Então convém interrogar: o que embaça tanto a beleza negra a ponto de torná-la imperceptível, mesmo nos espaços culturais de maioria negra? Por que a negação intransigente do que é tão óbvio? Será que a ressonância diaspórica não nos deixa olhar para o lado? Não que se pretenda construir um discurso preconceituoso ou ressentido com relação a outras etnias, mas é preciso interrogar o óbvio. É necessário gritar para o óbvio!
Mas, o sertanejo não grita para a ressonância diaspórica, por isso o seu corpo fica marcado por várias identidades.
Policarpo Pereira Anastácio Batista nasceu na Fazenda Jatobá, no dia 05 de fevereiro de 1938. Descendia de uma família constituída por um desertor da Guerra de Canudos e uma negra filha de escravos africanos, remanescentes da Fazenda Acaru em Monte Santo.
Quando as tropas da Expedição Artur Oscar demandavam de Queimadas para Canudos, via Monte Santo, um soldado da comissão de engenharia deu partes de doente na entrada da Fazenda Jatobá. Um dos médicos da força examinou-lhe, prescreveu-lhe alguns recursos e sugeriu ao comandante que ele fosse deixado a convalescer até o dia seguinte, quando então acompanharia outro batalhão. O jovem soldado quedou-se por algum tempo, depois teve sede e dirigiu-se a uma choupana próxima para pedir ajuda. Veio-lhe em auxílio uma moça negra de beleza extasiante, trazendo uma cabaça d’água e uma cuia de beber. A febre evadiu-se e o jovem abriu o coração: não suportava mais “aquela vida desgraçada que vinha arrastando”. Bebeu a água e contou a sua história.
Era filho de uma índia da Tribo Itaguaí com um aventureiro francês. Era um índio de olhos celestes, tal como no dizer de O Cativo, de Jorge Luís Borges. Fora recrutado à força na estação ferroviária de Santa Cruz no Rio de Janeiro e incorporado à expedição, agora queria desertar. A negra bonita fez uma menção com o lábio inferior apontando-lhe uma nesga de serra distante no meio da vegetação cerrada.
– Cê vai, tô dia eu levu di cumê e auá!
O homem partiu para o coração da caatinga e a moça passou a cumprir a palavra. Certa manhã, a saia desfraldada por espinhos deixou entrever o sexo. Nunca mais se apartaram.
Finda a guerra, as tropas retornaram para o Sul do país e o jovem casal para o Jatobá, onde passou a botar roça e a labutar com criação. Foi desse enlace que surgiu A Nação dos Índios Negros do Vale do Jacuricy. Do patriarca nunca se sabia o nome, era tratado por “O Home”. Até que certo dia um técnico da Inspetoria Federal de Obras Contra a Seca (I.F.O.C.S.) passando pelo Jatobá para realizar o censo, conseguiu verificar alguns antigos documentos do “Home” e então o aconselhou a legalizar a situação da companheira e a registrar os filhos para que pudesse receber os benefícios mandados pelo governo. Ele o fez de muito bom grado, mas não se lembrava mais da Guerra de Canudos e havia apagado para sempre a memória do Rio de Janeiro. Veio a falecer em uma tarde singular, quando madornava em uma esteira de pindoba no oitão da casa; pouco tempo depois de haver se tornado viúvo. Passava dos noventa anos de vida; venerado por filhos, netos, bisnetos e tataranetos. Policarpo Batista era um dos filhos mais novos. Um Índio Negro.
Quando Policarpo completou dezesseis anos de idade, um tio que trabalhava na Companhia de Carris e que veio de férias de Salvador para passar uns dias no sertão argumentou que ele devia ir para um mundo mais civilizado. “Um menino como este não pode ficar neste oco de mundo”! Foi assim que ele terminou ingressando na Marinha em Salvador; sendo removido depois para servir no Rio de Janeiro.
Na capital federal, sem parentes ou amigos, o jovem Policarpo morava na própria caserna; tal como sucede ao militar de origem nordestina, deslocado para aquela parte da Região Sudeste. Por um período de seis meses, o moço não saía das dependências do quartel para nada. Mas, naquele ambiente disciplinador, logo passou a cultivar boas relações de amizade com um colega de origem paraibana que se achava naquele serviço há muito mais tempo, portanto, muito versado nas relações com a grande cidade. Foi assim que Policarpo foi mergulhando nos labirintos da vida obscura do homem nordestino no contexto noturno do universo carioca.
Em uma noite de folga chegou-lhe o colega:
– Tá a fim de dar soco?
– Pô... Barbosa, eu tô na onça...
– Mas é por isso mesmo, cara! É preciso sair dessa lona...
– Então eu topo!
– Vou te dar os macetes todos. Primeiro vamos passar na Central do Brasil, e depois dar um rolé pelas bocas.
Diante da antiga estação de trens da Central do Brasil, Policarpo ficou extasiado com as proporções daquele edifício suntuoso. Uma obra majestosa, rica, ostentando toda uma austeridade sisuda, pesada, soberba, imponente com a sua extensa fachada de mármore esmeradamente polido; contrastando com as sombras fantasmagóricas de homens e mulheres desfigurados pela noite carioca e refletidos na própria fachada de mármore, arrastando-se por aquele Mercado do Sexo periférico, centrado no coração da cidade do Rio de Janeiro. E a Torre da Central, atrevida como Babel, com o seu famoso relógio luminoso, visto de todas as partes da cidade e agora a embevecer todo o fascínio do homem simples, descambado da moleira do grande sertão de Canudos.
– Se toca cara! Qualé? Ficou abobado? Aqui você só deve vir em uma onça total. É no mictório que ficam os veados muquiranas, esperando alguém vir mijar pra eles cantar o cara. Eles ficam lá dentro dia e noite, fingindo que estão mijando só para olhar o pau de quem entra. Veado pobre, fudido, fuleiro. Não vale a pena. O máximo que você pega é um troco. Quer ver?
Mais adiante, os dois marinheiros achavam-se já na Praça Tiradentes.
– Preste atenção! Aqui já melhora um pouco, mas ainda não é o ideal para um cara safo. Vou te ensinar tudo: olhe! Ali perto do Teatro João Caetano; boca de travesti. Você é que paga. Aí é foda! Agora vamos para aquela boca: o Teatro Carlos Gomes, o Café Nathalia. Descendo pra lá, é a Rua da Carioca; cinema à pampa, cheio de bicha! Melhora um pouquinho. Pode-se arrumar uma graninha melhor, mas o problema é que as bichas moram nas cabeças-de-porco da Pedro Primeiro. Transar ali é como tocar punheta em pé de mandacaru. É por isso que você tem que se especializar, conhecer os melhores lugares e os Boys ricos, finos, elegantes. Altas contas bancárias. Altas patentes militares, médicos, artistas de renome, magistrados, parlamentares, ministros de estado. O meu Boy é médico, com consultório na Avenida Atlântica, filho de um ministro do governo. Eu vou ser promovido a sargento ainda este ano. Já está garantido. Mas o meu sonho é servir em João Pessoa. A minha transferência já está assegurada pelo meu Boy. O pai é Ministro, porra! Eu sou de Guarabira. Um dia, eu quero voltar para Guarabira, reformado como oficial. Eu quero criar cabras, bodes, ovelhas, bois, vacas. Eu quero andar pela feira de Guarabira todo encourado; pescar no açude, tomar banho de cuia, beber umbuzada adoçada com rapadura e dormir em rede de caroá...
– Tudo com ajuda de um veado?
– Mas é claro! Agora é Boy... Aprenda isto: veado é lá na Central. Agora é Boy. Veja, estou te levando aos territórios hierarquizados do sexo alternativo do Rio de Janeiro. Estamos indo agora para o Eldorado Carioca, a Cinelândia, o Amarelinho, o Passeio Público, onde impera o luxo, a grana, o prazer... Pela primeira vez você vai botar a mão em grana farta e fácil.
– Eu tô precisando. Soldo de militar é uma miséria; metade do meu soldo fica na cantina. Parte da outra metade fica nos descontos.
– Mas por que tanta despesa na cantina?
– E quem consegue comer aquela gororoba do rancho?
– Não sei. Eu não vou lá!...
– Pois é meu camarada, um dia desses eu escutei os caras do rancho discutindo porque um recruta sem saber pegou uma panela de lixo e colocou junto de uma de sopa. Daí não se sabia mais o que era o quê. Sabe aqueles panelões de aço? Aí o capitão chegou e resolveu o problema: “Requenta as duas e bota para servir”!
– Porra!... (risos).
– Então de marinha! É por isso que a gente tem que explorar o Boy. Você...
– Ih! Rapaz!
– Qualé?
– Ou eu perdi a minha identidade, ou ficou no quartel
– Fique frio. Daqui em diante as suas identidades serão outras.
Logo há poucos minutos, os dois marujos estavam diante do Bar Amarelinho na Cinelândia. Barbosa, velho conhecido na área, foi apresentando o Policarpo às suas antigas relações.
– É recruta?
– Não... Ele veio transferido de Salvador.
Chopes, uísques, cigarros, conversas, risos, abraços, e a noite foi avançando... Alta madrugada, despediram-se e os dois amigos desceram para o Passeio Público.
– Aqui é o seguinte: Fique atento para os carrões importados. Sempre atento para os mais caros e mais elegantes. É o pessoal da alta grana e do elevado poder político. Sempre a preferência deles é por militares, porque são selecionados de acordo com certos padrões de estética física; já para atender as taras das altas oligarquias; e também por questões morais. Ora, estão sujeitos a regulamentos, são disciplinados, submetidos permanentemente a inspeções de saúde e a exercícios físicos constantes. Além disso, a maioria destes militares são negros e nordestinos; os chamados picões. Agora você também é um picão. (Risos).
– Mas não dizem para a gente nos quartéis que toda a exigência com o preparo físico e a boa saúde é para nos aprimorar para a Guerra, a Defesa Nacional?
– Que Guerra porra nenhuma, cara? Que Defesa Nacional? A Guerra aqui é a da putaria mesmo, cara! Teve um naval cearense chamado Pica de Jegue que era disputado à bala aqui neste pedaço. Ele chegou muito bronco do Nordeste e costumava dizer assim: “Do ar urubu, do chão cururu”. Ele chegou comendo piranha, veado, travesti, Boy; o que caísse na rede. Ele dava soco da Central do Brasil ao Baixo Leblon, por isso chegou a ser considerado muito promíscuo, inclusive no quartel, o que não é bom. Certa feita, um graduado de serviço de comandante-da-guarda o surpreendeu na calada da noite entrando despido no alojamento do oficial-de-serviço. Foi lá e encontrou ele comendo o oficial. Deu voz de prisão aos dois, tocou o alarme e mandou ligar para o superior de serviço. Foi um rebu do diabo! Mas; no andamento do inquérito, o graduado é que foi punido com trinta dias de prisão em solitária, enquadrado no Regulamento Militar sob a justificativa de “Haver censurado ato superior”. E ainda foi transferido para o Amazonas. Pica de Jegue foi promovido a cabo. Então, chamei ele para uma conversa e passei a instrui-lo. Como estou fazendo contigo agora. Depois ele arrumou um suíço multimilionário, pediu baixa e hoje vive como um marajá em Genebra. Tirou toda a família que vivia abaixo da miséria extrema no Quixadá e a levou para a Europa; hoje vive todo mundo lá nadando em riquezas. Para essa gente poderosa e milionária, o papel do Estado é fabricar corpos de jovens pobres, negros e nordestinos para satisfazerem as suas taras. Veja esse carrão! Vai parar, pode ir fundo que eu vou no outro que vem logo atrás. Fique frio!
Apresentaram-se muito cordialmente, o que Barbosa exercia com maestria, acertaram preços e afetos, rumaram para uma boate caríssima em São Conrado, depois foram cumprir deveres em uma mansão ultra suntuosa no Grumari.
Poucos meses depois, o jovem cansançoense Policarpo Batista estava escolado no ramo. O fato de ser um negro de reconhecida beleza, ampliava-lhe as portas. Não carecia mais da ajuda do amigo Barbosa, que logo foi movimentado para servir em João Pessoa. Daí Policarpo veio a conhecer um armador europeu que passava longas temporadas no Rio de Janeiro e passou a morar em sua rica cobertura na Avenida Bartolomeu Mitre, no Leblon, ricamente sustentado pelo “amigo”, onde ficou por vinte e dois anos, trabalhando meio expediente e fazendo carreira militar. Mas o milionário era muito excêntrico e veio a falecer em Bariloche, a bordo de uma aeronave em companhia de amigos, mantendo relações sexuais em pleno voo. Quando Batista deu fé, havia herdado em testamento a cobertura em que morava, dois automóveis de luxo, um jatinho de passeio e uma mansão frente a uma praia de Búzios. Vendeu tudo, voltou para Cansanção, tirou os parentes da pobreza extrema e mandou construir rico pé-de-meia em seu torrão natal. Casando-se depois com Dona Angélica Pureza das Neves, antiga paixão de infância. Deitou âncoras.
Agora o encontramos perante o convite tentador formulado pelo amigo Alexandre:
– Topa?
– Eu topo!
– Fechado?
– Fechado!
Na manhã seguinte, Seu Batista começou a se arrumar para pegar o São Matheus. A esposa o inquiriu:
– Aonde tu vai criatura?
– Eu vou em Coité resolver uns negócios.
No comércio, Seu Batista adquiriu preservativos. E foi taxativo:
– Eu quero é com lubrificantes. Dos bons! Dos melhores!
Depois, bermudas, sungas, camisetas, meias, tênis, maleta esportiva de grife, energéticos, estimulantes sexuais e etc.
Três dias depois está Seu Batista a arrumar-se de novo.
– Vai viajar?
– Eu vou ali em Euclides da Cunha.
– Fazer o quê?
– Eu vou me matricular em uma Academia de Ginástica, mas é por pouco tempo; uns quinze dias; no máximo.
– Batista, você tá ficando doido? Que diabo tá acontecendo?
– Você sabe, eu fui de Marinha, um militar, não posso ficar fora de forma, senão me faz mal.
Na tarde do dia vinte e três, Alexandre Pacheco voltou à residência do velho amigo:
– Seu Batista, nós vamos hoje à noite.
– A que horas?
– Umas sete e meia...
– Combinado!
Tudo certo! Para Dona Angélica, o marido ia passear na Fazenda de amigos muito queridos.
Na manhã do dia seguinte, bem cedo, a recepção começou a ser arrumada. Logo chegou o pessoal do buffet com todos os requintes. Muitas bebidas finas, guloseimas, frutas, doces, salgados e etc.
Findo o café da manhã, os convivas foram conduzidos para piscinas, quadras de esportes, espaços de laser, sempre muito bem servidos. Seu Batista observava a todos, já cogitando seleção de parceria; mas divertia-se a valer. Até quando foi chegando o meio dia em que os convidados foram aconselhados a recolherem-se aos respectivos aposentos, porque no início da tarde iriam “comer o veado”. Seu Batista achava-se radiante; foi para a suíte, banhou-se, cuidou-se com esmero e, muito exausto, ferrou no sono. Acordou muito depois com alguém batendo à porta:
– Seu Batista, vamos comer o veado!
– Já vou! Espera aí!!!
Pulou da cama, ajeitou-se e saiu.
– Onde é?
– É aqui!
Quando Seu Batista adentrou ao salão, a imensa mesa estava posta, cercada de comensais. Ele ainda meio tonto de sono, inquiriu ao amigo:
– Cadê o veado?
– Aqui!
– Onde?
– Na mesa...
Policarpo Batista arregalou bem os olhos e vislumbrou no centro da mesa em uma grande bandeja, cercada de guarnições e de garrafas de bebidas, uma peça assada ao ponto e ainda fumegando.
– Porra! Alexandre, você tá a fim de me sacanear, rapaz...
– Não senhor, de forma alguma...
– Porra cara! Você me convida para comer um veado e vem com este negócio de almoço? Por acaso eu não tenho comida na minha casa, porra? Você tá ficando doido?
– Ah! Seu Batista, já entendi. Eu peço desculpas ao senhor, mas comer um veado aqui no sertão de Camandaroba é somente almoçar uma caça com os amigos mais íntimos, em uma tarde de domingo.
Visivelmente transtornado, Seu Batista passou a chutar móveis, dar bofetadas em paredes, quebrar garrafas de bebidas, gritar, chorar, rir, dilacerar as próprias vestes. Até sair do salão cambaleando em direção a uma das piscinas. Parando junto à mureta de uma delas, sacou uma pistola automática e disparou contra o ouvido, precipitando-se na água. Quando as pessoas ouviram o estampido do tiro e o baque do corpo, correram em socorro, mas ele já estava morto, e do seu ouvido direito saía uma longa faixa sanguínea, tortuosa e trêmula que atravessava a superfície, assemelhando-se à travessia do povo hebreu pelo Mar Vermelho e pelo deserto no rumo da Diáspora Mosaica.
Serrinha, 1/1/11.
*PROFESSOR DE LITERATURA BRASILEIRA NO DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS XIV – UNEB.
– Quando?
– No dia vinte e quatro.
– Onde?
– Na fazenda de painho, lá no Riacho de Camandaroba.
– Oxi! Menino, e lá tem lugar pra isso?
– Lá nós temos cinco suítes presidenciais, dois salões de festas, três salões de jogos, duas piscinas olímpicas de padrão internacional, saunas, quadras de esportes, campo de futebol, pista de atletismo, salão de ginástica... pô, se eu for falar tudo, passo é o dia e a noite...
Alexandre Pacheco, jovem empresário da cidade de Cansanção, havia estacionado a HILUX prata na frente da residência do velho amigo de infância do seu pai. Amizade antiga e muito estimada pela família. Além disso, o jovem admirava aquele homem vitorioso, aquela figura respeitável. Segundo tenente reformado da Marinha, “natural do Jatobá”; bem ali nas caatingas de Cansanção; mas que viveu no Rio de Janeiro por tantos anos, viajou pelo mundo, ancorou em tantos portos, viu tantas e tantas coisas belas em cidades da América, da Europa, da Ásia... Para o moço Alexandre, era de grande interesse mergulhar por tardes a fio em longas e proveitosas conversas com Seu Batista; ainda que negligenciando por um pouco na condução dos negócios da família. Eram momentos de ócios muito produtivos, os períodos de conversas com Seu Batista. Saber tanto do mundo, das belezas do mundo, dos encantos de terras tão distantes; mas, principalmente, das condições de sobrevivência do homem sertanejo fora do seu torrão natal. Como era possível que um homem saído das entranhas remotas da caatinga conseguisse sobreviver em outras regiões do país, marcadas por tantas formas de hostilidades ao nordestino, por tantas formas ostensivas de execração ao povo dos sertões da Bahia e ainda pudesse retornar para sua terra em condições tão favoráveis? Pois que, contrariando as narrativas da Diáspora Sertaneja, o velho homem do mar nunca falava de padecimentos, aflições, misérias. Falava de monumentos suntuosos, de espaços elegantes, de artes inebriantes, de sítios históricos extraordinários; também do Tibre, do Danúbio, do Reno. Certa feita, contou-lhe de uma viagem à Grécia em um navio-escola; de visitas aos monumentos clássicos: as ruínas do Areópago, o Templo de Apolo e o Teatro de Dionísio. Seu Batista era assim, um homem querido e respeitado por toda a população do município de Cansanção, e pelo fato de ser oficial reformado de uma força armada; muito viajado; figurava pessoa muito importante para aquela sociedade sertaneja. No entanto, para o moço Alexandre – além dos valores de amizade com a sua família – Seu Batista mais interessava por uma outra narrativa diaspórica que lhe oferecia. Pois a Diáspora Sertaneja é uma grande narrativa que interessa às elites que detém poder econômico e político no contexto social do sertão baiano. A diáspora para “fora” tanto assusta quanto amedronta às classes dominantes e abastadas do interior baiano. Portanto, migrar em busca de trabalho e melhores condições de subsistência em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso, Goiás é coisa de pobre, flagelado, miserável. A esses lugares devem ir as oligarquias sertanejas para assuntos de negócios, turismos, estudos ou tratamentos de saúde; jamais em busca da subsistência a que são levados os descamisados. Todavia, persiste uma grande curiosidade da parte dos membros dessas elites sociais quanto às experiências concretas de vida pobre de “fora” destes espaços sertanejos. Uma espécie de profilaxia da pobreza. Dessa forma, toda a pessoa levada pela enxurrada diaspórica que consegue retornar ao sertão em condições de sobreviver sem recorrer a esmolas e a favores políticos humilhantes é inquirida exaustivamente pelas hostes dominantes. Portanto, há uma cultura de escuta permanente dos relatos identitários dos filhos da exclusão. Eles são enredados em uma trama persuasiva em que, sem perceber, oferecem toda a materialidade para o aperfeiçoamento dos mecanismos de opressão com que os poderosos vão continuar fabricando miseráveis para serem lançados à vala abominável do flagelo premeditado e financiado pela barbárie capitalista.
O capitalista sertanejo de “dentro”: fazendeiro, comerciante, grileiro, latifundiário, chefe político, empresário nunca fala ao pobre de si nem de sua condição de abastado, mas da vida do pobre e do negro tem uma necessidade de leitura incisiva e quer saber minúcias do que come, de como dorme, de como se veste, de como faz sexo, enfim de que modo consegue viver, contrariando a lógica da cultura da exploração do homem pelo homem. Principalmente se ousou viver fora do contexto em que nasceu e de onde foi escorraçado para “fora” no dorso da Diáspora Sertaneja.
Pensar a diáspora neste contexto do Sertão de Canudos, interrogá-la, logo implica pensar o negro. Principalmente porque a população negra foi maioria em Canudos na era de Antônio Conselheiro e da Guerra. A própria Guerra decorreu de um movimento diaspórico. Portanto, negro e diáspora, neste contexto, são intrínsecos. Neste sertão não há negro sem diáspora, não há diáspora sem negro.
No sentido de uma leitura inexorável da Diáspora Sertaneja, a bem da verdade, pode-se afirmar que as potestades políticas e econômicas têm razão. De fato, a invenção do Sudeste do Brasil enquanto “fora” desejado e grande centro de desenvolvimento industrial e financeiro, logo representa para o Nordeste uma imensa bacia de descarte dos grandes problemas sociais e humanos que esta parte do mundo deveria enfrentar. Assim é que a fabricação de São Paulo, por exemplo, tornou-se de utilidade teleológica para as potestades dominantes do universo sertanejo do Nordeste brasileiro; ainda mais na perspectiva da absorção ou da trituração dos materiais humanos não nobres, projetados das esferas sociais do sertão do semiárido baiano para as engrenagens avassaladoras de São Paulo. Portanto, a Diáspora Sertaneja funciona como a linha divisória estabelecida entre aqueles que têm o privilégio de permanecer territorializados e os que são condenados à (des)territorialização, ao espaço de “fora”. A fronteira da exclusão define a Diáspora Sertaneja. Todavia, aqui ela também se dobra e institui um “fora”, “dentro”. Portanto, deste (des)foramento interno se encarrega a Indústria Cultural. Ela se revigora e se expande no panorama da diferença instituída no plano binário das articulações culturais, através da oposição muito sutil entre o nobre, o elegante, o sofisticado. E o grotesco, periférico, sujo, carnavalesco. Por exemplo, nas ocasiões em que as elites sociais fazem concessões a grandes demandas periféricas, promovendo festas ou espetáculos de massas, financiados com dinheiro público. Elas próprias, as elites, insistem em definir, com o trabalho da Indústria Cultural, a linha divisória que marca a diferença. Raramente uma pessoa da elite aparece no meio do espaço público em que se realiza a festa popular sertaneja. Há um resguardo estratégico. Exceto quando a situação de interesse político exige por um tempo a aparição apoteótica de alguma representação oligárquica. Neste sentido, prevalece alguma forma de manipulação, visando à promoção de alguma candidatura a cargo eletivo ou por força da presença de algum expoente da Indústria Cultural com aparição mais frequente nas mídias de maior alcance, contratado como grande atração pelo poder público, para vociferar linguagens de apelo patético às periferias sociais, sempre em tom de bajulação ridícula ao gestor do erário público que administra o financiamento do evento cultural. Então, é aí que também se institui um quadro bem delineado para ofuscar a “grande atração”, de modo que ela jamais venha a ameaçar o brilho das chamadas Pratas da Casa. Tudo é premeditado. Dessa forma, sobe ao trio elétrico ou ao palco, ao lado da “atração”, que deveria ser principal, uma jovem branca, filha, neta ou bisneta de quem detém o poder no momento e que vive na capital do estado a expensas dos cofres municipais, para “arrasar” na noite sertaneja. O fascínio pela Sinhazinha ou Patricinha branca é ainda muito pujante neste sertão. Na verdade, nos eventos culturais sertanejos a Patricinha é que é a Grande Atração; a outra somente se apresenta para contracenar com ela. E do alto em que se exibe, sob aplausos histéricos, a jovem funciona como um significado denso de poder sempre venerado, internalizado e obedecido pelas demandas sociais subalternas; inclusive o poder sensual. Lá embaixo, condicionada pelos significantes pulverizados pelos gritos estridentes do fetiche eletrônico, a galera se esbalda.
A ovação histérica à beleza branca da Patricinha leva-a a emulações extremadas. Assim, em estado de alucinação orgásmica, ela se põe a incitar o povão a extravagâncias de todas as formas. Ela mesma, também, símbolo sexual por excelência, reina sobre o Império dos Sentidos, e com requintes de sarcasmo, cinismo e sadismo ordena às meninas pobres e negras que se escravizem a orgias desregradas e que curtam a noite como se fosse a última. Afinal, é uma ordem! Além disso, a reificação da Patricinha também é uma relação de cópula no dorso da diáspora. Literalmente, ela fode a diáspora em plena festa pública, depois se retira para os ambientes sofisticados e reservados às elites onde se promovem orgias elegantes, extravagantes e requintadas, patrocinadas pelo erário público, deixando as massas submissas, no dizer bem sertanejo, do jeito que o diabo gosta. Ora, as meninas das oligarquias dominantes podem exagerar nos seus desregramentos obscenos porque contam com o apoio logístico da engrenagem econômica e financeira do Estado de Direito e Democrático para cobrir seus gastos com planos de saúde milionários, despesas com abortos, viagens para o exterior em busca de tratamentos especializados, compras de amantes, longas temporadas em espaços sofisticados de repousos e de reestabelecimentos de energias. Mas a realidade da menina pobre de periferia é assaz degradante. Essa vai padecer com as deficiências de serviços médicos humilhantes em postos de saúde de notória precariedade, e se consegue sobreviver a um parto de alto risco, realizado em condições repugnantes em algum hospital público; então; terá que assumir as responsabilidades de mãe solteira, na maioria das vezes aos treze, quatorze ou quinze anos de idade. Será que o sexo está no centro do corpo diaspórico e a Patricinha é o seu principal estopim erótico?
É oportuno ter Consciência Negra de que neste sertão da Bahia a Abolição da Escravatura, então vociferada pelo Estado, somente ocorreu em termos de discurso vazio. A escravidão mental e sexual do negro permanece tão mais perversa quanto foi a da exploração do corpo do negro enquanto força de trabalho forçado e, nesta perspectiva de dominação, continua a funcionar a lógica branca, também através de suas dimensões política, econômica, cultural, lúdica, sensual e estética. Principalmente, o poder dominante é fossilizado no imaginário lúdico do público de “baixo”.
No meio do grande público que está embaixo, há belezas negras de muito maior encanto que a encenação plástica imposta de cima, mas que ou não são percebidas mesmo pelas massas, ou são desdenhadas por mera inépcia de reconhecimento do que é mais peculiar. Então convém interrogar: o que embaça tanto a beleza negra a ponto de torná-la imperceptível, mesmo nos espaços culturais de maioria negra? Por que a negação intransigente do que é tão óbvio? Será que a ressonância diaspórica não nos deixa olhar para o lado? Não que se pretenda construir um discurso preconceituoso ou ressentido com relação a outras etnias, mas é preciso interrogar o óbvio. É necessário gritar para o óbvio!
Mas, o sertanejo não grita para a ressonância diaspórica, por isso o seu corpo fica marcado por várias identidades.
Policarpo Pereira Anastácio Batista nasceu na Fazenda Jatobá, no dia 05 de fevereiro de 1938. Descendia de uma família constituída por um desertor da Guerra de Canudos e uma negra filha de escravos africanos, remanescentes da Fazenda Acaru em Monte Santo.
Quando as tropas da Expedição Artur Oscar demandavam de Queimadas para Canudos, via Monte Santo, um soldado da comissão de engenharia deu partes de doente na entrada da Fazenda Jatobá. Um dos médicos da força examinou-lhe, prescreveu-lhe alguns recursos e sugeriu ao comandante que ele fosse deixado a convalescer até o dia seguinte, quando então acompanharia outro batalhão. O jovem soldado quedou-se por algum tempo, depois teve sede e dirigiu-se a uma choupana próxima para pedir ajuda. Veio-lhe em auxílio uma moça negra de beleza extasiante, trazendo uma cabaça d’água e uma cuia de beber. A febre evadiu-se e o jovem abriu o coração: não suportava mais “aquela vida desgraçada que vinha arrastando”. Bebeu a água e contou a sua história.
Era filho de uma índia da Tribo Itaguaí com um aventureiro francês. Era um índio de olhos celestes, tal como no dizer de O Cativo, de Jorge Luís Borges. Fora recrutado à força na estação ferroviária de Santa Cruz no Rio de Janeiro e incorporado à expedição, agora queria desertar. A negra bonita fez uma menção com o lábio inferior apontando-lhe uma nesga de serra distante no meio da vegetação cerrada.
– Cê vai, tô dia eu levu di cumê e auá!
O homem partiu para o coração da caatinga e a moça passou a cumprir a palavra. Certa manhã, a saia desfraldada por espinhos deixou entrever o sexo. Nunca mais se apartaram.
Finda a guerra, as tropas retornaram para o Sul do país e o jovem casal para o Jatobá, onde passou a botar roça e a labutar com criação. Foi desse enlace que surgiu A Nação dos Índios Negros do Vale do Jacuricy. Do patriarca nunca se sabia o nome, era tratado por “O Home”. Até que certo dia um técnico da Inspetoria Federal de Obras Contra a Seca (I.F.O.C.S.) passando pelo Jatobá para realizar o censo, conseguiu verificar alguns antigos documentos do “Home” e então o aconselhou a legalizar a situação da companheira e a registrar os filhos para que pudesse receber os benefícios mandados pelo governo. Ele o fez de muito bom grado, mas não se lembrava mais da Guerra de Canudos e havia apagado para sempre a memória do Rio de Janeiro. Veio a falecer em uma tarde singular, quando madornava em uma esteira de pindoba no oitão da casa; pouco tempo depois de haver se tornado viúvo. Passava dos noventa anos de vida; venerado por filhos, netos, bisnetos e tataranetos. Policarpo Batista era um dos filhos mais novos. Um Índio Negro.
Quando Policarpo completou dezesseis anos de idade, um tio que trabalhava na Companhia de Carris e que veio de férias de Salvador para passar uns dias no sertão argumentou que ele devia ir para um mundo mais civilizado. “Um menino como este não pode ficar neste oco de mundo”! Foi assim que ele terminou ingressando na Marinha em Salvador; sendo removido depois para servir no Rio de Janeiro.
Na capital federal, sem parentes ou amigos, o jovem Policarpo morava na própria caserna; tal como sucede ao militar de origem nordestina, deslocado para aquela parte da Região Sudeste. Por um período de seis meses, o moço não saía das dependências do quartel para nada. Mas, naquele ambiente disciplinador, logo passou a cultivar boas relações de amizade com um colega de origem paraibana que se achava naquele serviço há muito mais tempo, portanto, muito versado nas relações com a grande cidade. Foi assim que Policarpo foi mergulhando nos labirintos da vida obscura do homem nordestino no contexto noturno do universo carioca.
Em uma noite de folga chegou-lhe o colega:
– Tá a fim de dar soco?
– Pô... Barbosa, eu tô na onça...
– Mas é por isso mesmo, cara! É preciso sair dessa lona...
– Então eu topo!
– Vou te dar os macetes todos. Primeiro vamos passar na Central do Brasil, e depois dar um rolé pelas bocas.
Diante da antiga estação de trens da Central do Brasil, Policarpo ficou extasiado com as proporções daquele edifício suntuoso. Uma obra majestosa, rica, ostentando toda uma austeridade sisuda, pesada, soberba, imponente com a sua extensa fachada de mármore esmeradamente polido; contrastando com as sombras fantasmagóricas de homens e mulheres desfigurados pela noite carioca e refletidos na própria fachada de mármore, arrastando-se por aquele Mercado do Sexo periférico, centrado no coração da cidade do Rio de Janeiro. E a Torre da Central, atrevida como Babel, com o seu famoso relógio luminoso, visto de todas as partes da cidade e agora a embevecer todo o fascínio do homem simples, descambado da moleira do grande sertão de Canudos.
– Se toca cara! Qualé? Ficou abobado? Aqui você só deve vir em uma onça total. É no mictório que ficam os veados muquiranas, esperando alguém vir mijar pra eles cantar o cara. Eles ficam lá dentro dia e noite, fingindo que estão mijando só para olhar o pau de quem entra. Veado pobre, fudido, fuleiro. Não vale a pena. O máximo que você pega é um troco. Quer ver?
Mais adiante, os dois marinheiros achavam-se já na Praça Tiradentes.
– Preste atenção! Aqui já melhora um pouco, mas ainda não é o ideal para um cara safo. Vou te ensinar tudo: olhe! Ali perto do Teatro João Caetano; boca de travesti. Você é que paga. Aí é foda! Agora vamos para aquela boca: o Teatro Carlos Gomes, o Café Nathalia. Descendo pra lá, é a Rua da Carioca; cinema à pampa, cheio de bicha! Melhora um pouquinho. Pode-se arrumar uma graninha melhor, mas o problema é que as bichas moram nas cabeças-de-porco da Pedro Primeiro. Transar ali é como tocar punheta em pé de mandacaru. É por isso que você tem que se especializar, conhecer os melhores lugares e os Boys ricos, finos, elegantes. Altas contas bancárias. Altas patentes militares, médicos, artistas de renome, magistrados, parlamentares, ministros de estado. O meu Boy é médico, com consultório na Avenida Atlântica, filho de um ministro do governo. Eu vou ser promovido a sargento ainda este ano. Já está garantido. Mas o meu sonho é servir em João Pessoa. A minha transferência já está assegurada pelo meu Boy. O pai é Ministro, porra! Eu sou de Guarabira. Um dia, eu quero voltar para Guarabira, reformado como oficial. Eu quero criar cabras, bodes, ovelhas, bois, vacas. Eu quero andar pela feira de Guarabira todo encourado; pescar no açude, tomar banho de cuia, beber umbuzada adoçada com rapadura e dormir em rede de caroá...
– Tudo com ajuda de um veado?
– Mas é claro! Agora é Boy... Aprenda isto: veado é lá na Central. Agora é Boy. Veja, estou te levando aos territórios hierarquizados do sexo alternativo do Rio de Janeiro. Estamos indo agora para o Eldorado Carioca, a Cinelândia, o Amarelinho, o Passeio Público, onde impera o luxo, a grana, o prazer... Pela primeira vez você vai botar a mão em grana farta e fácil.
– Eu tô precisando. Soldo de militar é uma miséria; metade do meu soldo fica na cantina. Parte da outra metade fica nos descontos.
– Mas por que tanta despesa na cantina?
– E quem consegue comer aquela gororoba do rancho?
– Não sei. Eu não vou lá!...
– Pois é meu camarada, um dia desses eu escutei os caras do rancho discutindo porque um recruta sem saber pegou uma panela de lixo e colocou junto de uma de sopa. Daí não se sabia mais o que era o quê. Sabe aqueles panelões de aço? Aí o capitão chegou e resolveu o problema: “Requenta as duas e bota para servir”!
– Porra!... (risos).
– Então de marinha! É por isso que a gente tem que explorar o Boy. Você...
– Ih! Rapaz!
– Qualé?
– Ou eu perdi a minha identidade, ou ficou no quartel
– Fique frio. Daqui em diante as suas identidades serão outras.
Logo há poucos minutos, os dois marujos estavam diante do Bar Amarelinho na Cinelândia. Barbosa, velho conhecido na área, foi apresentando o Policarpo às suas antigas relações.
– É recruta?
– Não... Ele veio transferido de Salvador.
Chopes, uísques, cigarros, conversas, risos, abraços, e a noite foi avançando... Alta madrugada, despediram-se e os dois amigos desceram para o Passeio Público.
– Aqui é o seguinte: Fique atento para os carrões importados. Sempre atento para os mais caros e mais elegantes. É o pessoal da alta grana e do elevado poder político. Sempre a preferência deles é por militares, porque são selecionados de acordo com certos padrões de estética física; já para atender as taras das altas oligarquias; e também por questões morais. Ora, estão sujeitos a regulamentos, são disciplinados, submetidos permanentemente a inspeções de saúde e a exercícios físicos constantes. Além disso, a maioria destes militares são negros e nordestinos; os chamados picões. Agora você também é um picão. (Risos).
– Mas não dizem para a gente nos quartéis que toda a exigência com o preparo físico e a boa saúde é para nos aprimorar para a Guerra, a Defesa Nacional?
– Que Guerra porra nenhuma, cara? Que Defesa Nacional? A Guerra aqui é a da putaria mesmo, cara! Teve um naval cearense chamado Pica de Jegue que era disputado à bala aqui neste pedaço. Ele chegou muito bronco do Nordeste e costumava dizer assim: “Do ar urubu, do chão cururu”. Ele chegou comendo piranha, veado, travesti, Boy; o que caísse na rede. Ele dava soco da Central do Brasil ao Baixo Leblon, por isso chegou a ser considerado muito promíscuo, inclusive no quartel, o que não é bom. Certa feita, um graduado de serviço de comandante-da-guarda o surpreendeu na calada da noite entrando despido no alojamento do oficial-de-serviço. Foi lá e encontrou ele comendo o oficial. Deu voz de prisão aos dois, tocou o alarme e mandou ligar para o superior de serviço. Foi um rebu do diabo! Mas; no andamento do inquérito, o graduado é que foi punido com trinta dias de prisão em solitária, enquadrado no Regulamento Militar sob a justificativa de “Haver censurado ato superior”. E ainda foi transferido para o Amazonas. Pica de Jegue foi promovido a cabo. Então, chamei ele para uma conversa e passei a instrui-lo. Como estou fazendo contigo agora. Depois ele arrumou um suíço multimilionário, pediu baixa e hoje vive como um marajá em Genebra. Tirou toda a família que vivia abaixo da miséria extrema no Quixadá e a levou para a Europa; hoje vive todo mundo lá nadando em riquezas. Para essa gente poderosa e milionária, o papel do Estado é fabricar corpos de jovens pobres, negros e nordestinos para satisfazerem as suas taras. Veja esse carrão! Vai parar, pode ir fundo que eu vou no outro que vem logo atrás. Fique frio!
Apresentaram-se muito cordialmente, o que Barbosa exercia com maestria, acertaram preços e afetos, rumaram para uma boate caríssima em São Conrado, depois foram cumprir deveres em uma mansão ultra suntuosa no Grumari.
Poucos meses depois, o jovem cansançoense Policarpo Batista estava escolado no ramo. O fato de ser um negro de reconhecida beleza, ampliava-lhe as portas. Não carecia mais da ajuda do amigo Barbosa, que logo foi movimentado para servir em João Pessoa. Daí Policarpo veio a conhecer um armador europeu que passava longas temporadas no Rio de Janeiro e passou a morar em sua rica cobertura na Avenida Bartolomeu Mitre, no Leblon, ricamente sustentado pelo “amigo”, onde ficou por vinte e dois anos, trabalhando meio expediente e fazendo carreira militar. Mas o milionário era muito excêntrico e veio a falecer em Bariloche, a bordo de uma aeronave em companhia de amigos, mantendo relações sexuais em pleno voo. Quando Batista deu fé, havia herdado em testamento a cobertura em que morava, dois automóveis de luxo, um jatinho de passeio e uma mansão frente a uma praia de Búzios. Vendeu tudo, voltou para Cansanção, tirou os parentes da pobreza extrema e mandou construir rico pé-de-meia em seu torrão natal. Casando-se depois com Dona Angélica Pureza das Neves, antiga paixão de infância. Deitou âncoras.
Agora o encontramos perante o convite tentador formulado pelo amigo Alexandre:
– Topa?
– Eu topo!
– Fechado?
– Fechado!
Na manhã seguinte, Seu Batista começou a se arrumar para pegar o São Matheus. A esposa o inquiriu:
– Aonde tu vai criatura?
– Eu vou em Coité resolver uns negócios.
No comércio, Seu Batista adquiriu preservativos. E foi taxativo:
– Eu quero é com lubrificantes. Dos bons! Dos melhores!
Depois, bermudas, sungas, camisetas, meias, tênis, maleta esportiva de grife, energéticos, estimulantes sexuais e etc.
Três dias depois está Seu Batista a arrumar-se de novo.
– Vai viajar?
– Eu vou ali em Euclides da Cunha.
– Fazer o quê?
– Eu vou me matricular em uma Academia de Ginástica, mas é por pouco tempo; uns quinze dias; no máximo.
– Batista, você tá ficando doido? Que diabo tá acontecendo?
– Você sabe, eu fui de Marinha, um militar, não posso ficar fora de forma, senão me faz mal.
Na tarde do dia vinte e três, Alexandre Pacheco voltou à residência do velho amigo:
– Seu Batista, nós vamos hoje à noite.
– A que horas?
– Umas sete e meia...
– Combinado!
Tudo certo! Para Dona Angélica, o marido ia passear na Fazenda de amigos muito queridos.
Na manhã do dia seguinte, bem cedo, a recepção começou a ser arrumada. Logo chegou o pessoal do buffet com todos os requintes. Muitas bebidas finas, guloseimas, frutas, doces, salgados e etc.
Findo o café da manhã, os convivas foram conduzidos para piscinas, quadras de esportes, espaços de laser, sempre muito bem servidos. Seu Batista observava a todos, já cogitando seleção de parceria; mas divertia-se a valer. Até quando foi chegando o meio dia em que os convidados foram aconselhados a recolherem-se aos respectivos aposentos, porque no início da tarde iriam “comer o veado”. Seu Batista achava-se radiante; foi para a suíte, banhou-se, cuidou-se com esmero e, muito exausto, ferrou no sono. Acordou muito depois com alguém batendo à porta:
– Seu Batista, vamos comer o veado!
– Já vou! Espera aí!!!
Pulou da cama, ajeitou-se e saiu.
– Onde é?
– É aqui!
Quando Seu Batista adentrou ao salão, a imensa mesa estava posta, cercada de comensais. Ele ainda meio tonto de sono, inquiriu ao amigo:
– Cadê o veado?
– Aqui!
– Onde?
– Na mesa...
Policarpo Batista arregalou bem os olhos e vislumbrou no centro da mesa em uma grande bandeja, cercada de guarnições e de garrafas de bebidas, uma peça assada ao ponto e ainda fumegando.
– Porra! Alexandre, você tá a fim de me sacanear, rapaz...
– Não senhor, de forma alguma...
– Porra cara! Você me convida para comer um veado e vem com este negócio de almoço? Por acaso eu não tenho comida na minha casa, porra? Você tá ficando doido?
– Ah! Seu Batista, já entendi. Eu peço desculpas ao senhor, mas comer um veado aqui no sertão de Camandaroba é somente almoçar uma caça com os amigos mais íntimos, em uma tarde de domingo.
Visivelmente transtornado, Seu Batista passou a chutar móveis, dar bofetadas em paredes, quebrar garrafas de bebidas, gritar, chorar, rir, dilacerar as próprias vestes. Até sair do salão cambaleando em direção a uma das piscinas. Parando junto à mureta de uma delas, sacou uma pistola automática e disparou contra o ouvido, precipitando-se na água. Quando as pessoas ouviram o estampido do tiro e o baque do corpo, correram em socorro, mas ele já estava morto, e do seu ouvido direito saía uma longa faixa sanguínea, tortuosa e trêmula que atravessava a superfície, assemelhando-se à travessia do povo hebreu pelo Mar Vermelho e pelo deserto no rumo da Diáspora Mosaica.
Serrinha, 1/1/11.
*PROFESSOR DE LITERATURA BRASILEIRA NO DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS XIV – UNEB.
Ipea: Obras de 9 aeroportos, incluindo o de Salvador, não devem ficar prontas para Copa
As obras de 9 dos 13 aeroportos que estão sendo reformados para a Copa do Mundo de 2014 não devem ficar pronto a tempo, segundo artigo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado pelo Uol. Entre os aeroportos que não devem ficar prontos, o Ipea aponta o Aeroporto Internacional Luís Eduardo Magalhães, em Salvador. No total, R$ 5,6 bilhões foram orçados para a Infraero gastar nos aeroportos, entre 2011 e 2014. Segundo o Ipea, no entanto, o Brasil precisaria de 92 meses para efetuar uma obra deste porte – de acordo com “os prazos médios observados no Brasil”. O artigo diz que, analisando as obras, “as conclusões são alarmantes”. Além do problema com as obras, o Ipea aponta outro problema: mesmo que os aeroportos fiquem prontos a tempo, ainda haverá sobrecarga para os 13 aeroportos das cidades-sede. Dez dos 13 aeroportos estariam operando acima da capacidade na Copa – Fortaleza, Brasília, Guarulhos, Salvador, Cuiabá, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Natal e Recife.
Ituaçu debate instalação de fábrica
Ituaçu está se transformando num polo de produção de cimento da Bahia. Localizada no limite sudeste da Chapada Diamantina, a cidade deverá ganhar uma indústria da Votorantim Cimentos. O município já dispõe da fábrica Itaguarana, em fase final de instalação, e da Companhia de Cimento da Bahia (CCB), que obteve licença para implantação em fevereiro deste ano. A Votorantim já deu entrada no processo de licenciamento no Instituto do Meio Ambiente do Estado (IMA), que realizará hoje oficina preparatória para audiência pública. Técnicos do órgão explicarão os trâmites do processo para a concessão da licença, e a empresa apresentará o projeto da fábrica à comunidade.
terça-feira, 12 de abril de 2011
Guardas municipais de Lauro de Freitas protestam em frente à prefeitura
Os agentes da Guarda Municipal de Lauro de Freitas realizam uma manifestação na frente da Prefeitura da cidade na manhã desta terça-feira (11), reinvidicando melhorias nas condições de trabalho.
De acordo com os servidores, há três anos foram prometidos à categoria pagamento de salários proporcionais e vale transporte, mas até o momento eles recebem apenas um salário minímo de R$ 540,00.
Os servidores, que protestam desde às 7h no local, comunicaram à imprensa que só sairão de lá após um acordo com a prefeitura. Praticamente todo o efetivo de guardas concursados aderiram a manifestação.
De acordo com os servidores, há três anos foram prometidos à categoria pagamento de salários proporcionais e vale transporte, mas até o momento eles recebem apenas um salário minímo de R$ 540,00.
Os servidores, que protestam desde às 7h no local, comunicaram à imprensa que só sairão de lá após um acordo com a prefeitura. Praticamente todo o efetivo de guardas concursados aderiram a manifestação.
Agência fará consulta pública sobre cobertura obrigatória de planos de saúde
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) inicia no dia 15 deste mês consulta pública sobre a atualização da cobertura assistencial obrigatória para todos os planos de saúde contratados a partir de 2 de janeiro de 1999.
A proposta é incluir 36 tipos de cirurgias menos invasivas e induzir à modificação do atual modelo assistencial, que focaliza mais na doença e, assim, assistir adequadamente às necessidades dos beneficiários dos planos privados de assistência à saúde. Além disso, a revisão e atualização dos procedimentos comprovadamente seguros acompanham o acelerado avanço do conhecimento na área de saúde.
Entre as cirurgias que serão incluídas estão a redução de estômago, retirada de vesícula e adenóide, injeção intravítrea, marcação pré-cirúrgica guiada por ressonância magnética e nova indicação para o uso de pet scan (exame de imagem para detecção precoce de tumores).
A proposta é incluir 36 tipos de cirurgias menos invasivas e induzir à modificação do atual modelo assistencial, que focaliza mais na doença e, assim, assistir adequadamente às necessidades dos beneficiários dos planos privados de assistência à saúde. Além disso, a revisão e atualização dos procedimentos comprovadamente seguros acompanham o acelerado avanço do conhecimento na área de saúde.
Entre as cirurgias que serão incluídas estão a redução de estômago, retirada de vesícula e adenóide, injeção intravítrea, marcação pré-cirúrgica guiada por ressonância magnética e nova indicação para o uso de pet scan (exame de imagem para detecção precoce de tumores).
Nove policiais civis, incluindo um delegado, são denunciados pelo MP
Nove policiais civis, entre eles um delegado de Polícia, foram denunciados pelo Ministério Público Estadual, por meio do Grupo de Atuação Especial para o Controle Externo da Atividade Policial (Gacep). Eles participaram em 14 de janeiro do corrente ano de uma operação policial no bairro de Cajazeiras que teve por desfecho a morte de Levi Monteiro dos Reis, de 22 anos de idade. A operação foi considerada desastrosa pelos promotores de Justiça Kárita Conceição Cardim de Lima e José Emmanuel Lemos que assinaram a denúncia.
Os investigadores Guilherme Almeida Cardoso, Valmir Oliveira da Silva, Alci Cleber Costa Santos, Roberto Paim Fonseca, Carlos Sousa Filho e Reinaldo Raimundo Santos da Silva foram denunciados por homicídio contra Levi e mais cinco tentativas de homicídio qualificado por motivo torpe, perigo comum e impossibilidade de defesa, além de coação processual no curso do processo e fraude processual. A denúncia contra o delegado de polícia Tadeu Moreira Caldas Vianna Braga foi por fraude processual, sendo que o MP também extraiu cópias e remeteu para o Juizado Especial pelo fato de ele ter praticado crime de prevaricação e condescendência criminosa. O policial Givaldo Souza Ramos e o escrivão Josevandro Sacramento de Jesus foram denunciados por coação no curso do processo e sobre Josevandro ainda pesa o crime de fraude processual.
Segundo a denúncia, Levi estava reunido numa rua do bairro de Cajazeiras XI com Benilton dos Santos Oliveira, Arnon Sampaio Matos de Oliveira, Adriano Souza Reis, João Pedro Souza Dantas e uma adolescente conhecida por Carol com o objetivo de fumar maconha. Passados dez minutos, os policiais Guilherme, Valmir, Alci e Roberto chegaram ao local atirando, acompanhados pelos colegas Carlos e Reinaldo, “os quais, em ação conjunta, solidária e com identidade de propósito, imbuída de sentimento torpe, consistente na maldade pura e simples, e que causa repulsa à sociedade, aderiram à mesma conduta dos seus colegas, promovendo também disparos contra as vítimas que pularam da laje e correram cada um para um lado, objetivando se protegerem da saraivada de tiros em um matagal existente nas imediações.”
Ao pular, Levi foi atingido na coxa, e, mesmo suplicando que não o matassem, Guilherme, Valmir, Alci, Roberto, Carlos e Reinaldo aproximaram-se e efetuaram mais seis disparos, sendo que os dois tiros que provocaram sua morte vieram da pistola semi-automática portada por Guilherme segundo laudo pericial. Os policiais renderam Benilton e pediram apoio a Centel informando que a equipe estava sendo alvejada por mais de 15 traficantes enquanto atiravam contra o matagal simulando uma troca de tiros, informam os promotores de Justiça, acrescentando que cerca de 15 viaturas chegaram (Delegacias de Homicídios, 6ª e 13ª CP, Rondesp, Rotamo e 3ª CIPM) no sentido de “dar apoio à farsa criada pelos denunciados, visando acobertar a desastrosa operação policial.”
Benilton foi localizado e só não foi alvejado por Carlos que planejava matá-lo porque o delegado chegou. Mas foi obrigado por Carlos e Valmir a transportar Levi até uma viatura que o levou ao hospital onde ele chegou sem vida. Também Benilton foi transportado em uma viatura até a BR-324, onde foi transferido para outra viatura e levado à 13ª Delegacia. Lá foi ameaçado de morte, levou tapa no rosto, foi estrangulado e o policial Guilherme lhe mostrou uma quantidade de maconha e um revólver 38, foi coagido a dizer que esse material estava em posse de Levi no local do crime. Seu depoimento foi colhido apenas pelo escrivão Josevandro que também fez ameaças, não lhe restando outra alternativa senão a de confirmar.
Quanto ao delegado, consta da denúncia que, mesmo sabendo da participação ativa de Carlos, Reinaldo e Tadeu na ação policial, somente fez constar no auto de resistência os nomes dos policiais Guilherme, Alci e Valmir, respectivamente, como condutor e testemunhas, além de não solicitar a apresentação de Benilton para ser interrogado. A perícia não encontrou vestígios de pólvora de disparos nas mãos da vítima Levi, que apresentou ferimentos de defesa comprovando que estava rendido quando atingido pelos tiros. Também que projéteis colhidos no local do crime e no corpo fazem parte da munição de armas comumente usadas em pistola, carabina e submetralhadora, armas utilizadas pelos policiais em diligência.
Os investigadores Guilherme Almeida Cardoso, Valmir Oliveira da Silva, Alci Cleber Costa Santos, Roberto Paim Fonseca, Carlos Sousa Filho e Reinaldo Raimundo Santos da Silva foram denunciados por homicídio contra Levi e mais cinco tentativas de homicídio qualificado por motivo torpe, perigo comum e impossibilidade de defesa, além de coação processual no curso do processo e fraude processual. A denúncia contra o delegado de polícia Tadeu Moreira Caldas Vianna Braga foi por fraude processual, sendo que o MP também extraiu cópias e remeteu para o Juizado Especial pelo fato de ele ter praticado crime de prevaricação e condescendência criminosa. O policial Givaldo Souza Ramos e o escrivão Josevandro Sacramento de Jesus foram denunciados por coação no curso do processo e sobre Josevandro ainda pesa o crime de fraude processual.
Segundo a denúncia, Levi estava reunido numa rua do bairro de Cajazeiras XI com Benilton dos Santos Oliveira, Arnon Sampaio Matos de Oliveira, Adriano Souza Reis, João Pedro Souza Dantas e uma adolescente conhecida por Carol com o objetivo de fumar maconha. Passados dez minutos, os policiais Guilherme, Valmir, Alci e Roberto chegaram ao local atirando, acompanhados pelos colegas Carlos e Reinaldo, “os quais, em ação conjunta, solidária e com identidade de propósito, imbuída de sentimento torpe, consistente na maldade pura e simples, e que causa repulsa à sociedade, aderiram à mesma conduta dos seus colegas, promovendo também disparos contra as vítimas que pularam da laje e correram cada um para um lado, objetivando se protegerem da saraivada de tiros em um matagal existente nas imediações.”
Ao pular, Levi foi atingido na coxa, e, mesmo suplicando que não o matassem, Guilherme, Valmir, Alci, Roberto, Carlos e Reinaldo aproximaram-se e efetuaram mais seis disparos, sendo que os dois tiros que provocaram sua morte vieram da pistola semi-automática portada por Guilherme segundo laudo pericial. Os policiais renderam Benilton e pediram apoio a Centel informando que a equipe estava sendo alvejada por mais de 15 traficantes enquanto atiravam contra o matagal simulando uma troca de tiros, informam os promotores de Justiça, acrescentando que cerca de 15 viaturas chegaram (Delegacias de Homicídios, 6ª e 13ª CP, Rondesp, Rotamo e 3ª CIPM) no sentido de “dar apoio à farsa criada pelos denunciados, visando acobertar a desastrosa operação policial.”
Benilton foi localizado e só não foi alvejado por Carlos que planejava matá-lo porque o delegado chegou. Mas foi obrigado por Carlos e Valmir a transportar Levi até uma viatura que o levou ao hospital onde ele chegou sem vida. Também Benilton foi transportado em uma viatura até a BR-324, onde foi transferido para outra viatura e levado à 13ª Delegacia. Lá foi ameaçado de morte, levou tapa no rosto, foi estrangulado e o policial Guilherme lhe mostrou uma quantidade de maconha e um revólver 38, foi coagido a dizer que esse material estava em posse de Levi no local do crime. Seu depoimento foi colhido apenas pelo escrivão Josevandro que também fez ameaças, não lhe restando outra alternativa senão a de confirmar.
Quanto ao delegado, consta da denúncia que, mesmo sabendo da participação ativa de Carlos, Reinaldo e Tadeu na ação policial, somente fez constar no auto de resistência os nomes dos policiais Guilherme, Alci e Valmir, respectivamente, como condutor e testemunhas, além de não solicitar a apresentação de Benilton para ser interrogado. A perícia não encontrou vestígios de pólvora de disparos nas mãos da vítima Levi, que apresentou ferimentos de defesa comprovando que estava rendido quando atingido pelos tiros. Também que projéteis colhidos no local do crime e no corpo fazem parte da munição de armas comumente usadas em pistola, carabina e submetralhadora, armas utilizadas pelos policiais em diligência.
Presidente do BNDES volta a criticar política cambial
O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Luciano Coutinho, voltou a criticar a política cambial do Brasil nesta terça-feira, em Pequim, em meio à viagem da presidenta Dilma Rousseff à China. Coutinho disse hoje em entrevista à Reuters que o Brasil precisa fazer mais para impedir o fortalecimento do real porque a valorização da moeda pode causar problemas para a economia. O comentário do executivo ocorre em um momento delicado, depois da presidente ter se irritado com um embate interno do governo em torno do câmbio se tornar público pela boca do presidente do BNDES.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Novo assessor do governo, Clóvis Ferraz articula lançamento do PSD em Conquista
Um encontro na manhã de hoje reuniu na residência do ex-deputado estadual Clóvis Ferraz (DEM), recém-nomeado assessor da vice-governadoria da Bahia por Otto Alencar, os vereadores Joel do Caminhão (PTN), Álvaro Pithon (DEM) e Hermínio Oliveira (PDT) e os ex-vereadores Bibia (PDT) e José Willian (DEM). Na ocasião, Clóvis fez uma apresentação sobre os planos para o PSD, seu futuro partido, e pediu forças para o crescimento da legenda em Vitória da Conquista, município no qual ele pensa em lançar o seu nome à Prefeitura nas eleições de 2012. Ferraz afirmou que tem pretensões de expandir o PSD para todo o sudoeste baiano. No próximo final de semana, acontece outra reunião com o objetivo de organizar o lançamento oficial do PSD em Vitória da Conquista.
Uso de poços de água sem avaliação pode trazer riscos à saúde
Nitrato, nitritos, coliformes e pH. Um vocabulário pouco conhecido das reuniões de condomínio está no centro de um debate caloroso entre moradores de prédios e conjuntos residenciais de Salvador. O motivo: a utilização de água de poços, como forma de baratear as contas de água, a falta de um clareza sobre a legislação que rege o tema e o medo de contaminação. Às vésperas do aumento de 13,64% nas contas de água, anunciado para entrar em vigor a partir de maio pela Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), o sistema alternativo (poços tubulares) de abastecimento de água é alvo de um estudo jurídico pelo Instituto de Gestão das Águas e Clima (Ingá). Para o diretor geral do Ingá, Luiz Henrique Pinheiro, mesmo com o entendimento da legislação ainda em definição, o uso de água de poço para consumo humano requer cuidados severos.
Termina hoje a consulta pública para a política de resíduos
Hoje é o último dia para quem quiser participar do processo de discussão para definir os princípios, diretrizes e instrumentos da Política Estadual de Resíduos Sólidos. O anteprojeto da política está submetido à consulta pública há quase dois meses no site www.sedur.ba.gov.br/persba. Qualquer pessoa pode propor modificações, alterações ou adições aos artigos do anteprojeto. A política irá definir sobre a gestão dos resíduos sólidos no Estado, e segue as diretrizes do Plano Nacional de Resíduos Sólidos. Formado em 2009, o processo de elaboração foi realizado pelo Grupo de Trabalho (GT) Persólidos, formado por representantes de diversos segmentos sociais emembros do governo. Para a diretora de Resíduos Sólidos e Saneamento Rural da Sedur, Maria Valéria Gaspar, esse processo é fundamental para estabelecer um marco regulatório na política deregionalização. Ela ressalta a importância da participação: “A lei tem que representar os anseios da sociedade”.
Limites de repasses para educação, saúde e RH são temas de debate entre gestores
A União dos Municípios da Bahia (UPB) e o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) promovem, durante o I Encontro de Orientação do TCM-BA com os Gestores Municipais, que acontece entre os dias 18 e 19 de abril no Centro de Convenções da Bahia, uma palestra ministrada por Luiz Eduardo Dourado Lopes, analista de Controle Externo com o objetivo, segundo a assessoria da UPB, de sanar todas as dúvidas dos gestores municipais sobre os limites constitucionais de repasses para educação, saúde e RH. De acordo com a Constituição Federal, os municípios têm de aplicar 25% das receitas resultantes de impostos em educação e 15% do mesmo valor em saúde. Da mesma forma, é pré estabelecido um teto para gastos com pagamento de pessoal.
sábado, 9 de abril de 2011
Família de menina baiana morta no Rio pretende processar Estado
Com apenas seis meses de nascida, Milena dos Santos Nascimento, deixou a cidade baiana de Ubatã (a 379 km de Salvador) para ir morar com os pais e as irmãs no bairro do Realengo, no Rio de Janeiro. Um bebê prematuro, que nasceu de seis meses, ela precisou lutar pela vida para se tornar a “princesinha” da família. Mas, na quinta-feira, teve a vida ceifada. O corpo de Milena foi sepultado nesta sexta-feira, no Cemitério do Murundu. “Milena teve sorte de vingar. Sobreviveu por milagre e foi arrancada de nós por este homem louco”, diz, emocionada, a tia Marta Nascimento. Milena, de 14 anos, não teve mesma sorte de suas irmãs, Helena, de 12, e Tainá, de 16, que estavam na escola mas escaparam. Ela morreu com um tiro na cabeça. Tainá estava na sala ao lado e escapou porque o professor conseguiu trancar a porta. Helena estava no terceiro andar, onde o atirador não chegou.
Horário ampliado esbarra nas limitações dos cartórios da capital
COm o projeto de privatização dos cartórios extrajudiciais emperrado na Assembleia Legislativa, o Judiciário baiano terá dificuldades para atender, na prática, a nova recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), alterando o Art. 1º da Resolução 88/09, que determina horário mínimo uniforme de atendimento ao público, por tribunais e demais unidades noPaís. O expediente externo será de, pelo menos, nove horas diárias (9h às 18h). Na Bahia, o horário oficial de atendimento estabelecido pelo Tribunal de Justiça (TJ-BA) é de 8h às 18h, dentro da recomendação. Mas a medida é desrespeitada em cartórios extrajudiciais. A Tarde esteve ontem nos 9º e 14º Ofícios de Notas, e nos 2º e 6º Ofícios de Registro de Imóveis, em Salvador. Em um deles, o 9º Ofício de Notas (Pituba Parque Center), há atendimento de dez horas, mas parcialmente, para emissão de certidão de escrituras, inventários e procurações. Para reconhecimento de firma e autenticações, o expediente é de seis horas, das 9h às 15h. A presidente do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário, Maria José, afirmou que, para atender à recomendação, deve-se aumentar o quadro de serventuários: “Não abrimos mão das seis horas. O CNJ interfere em tudo, mas não fala de aumento de salários”, criticou.
Greve de professores, deixa nove mil alunos sem aulas
Pouco mais de 800 professores da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) iniciaram, ontem, uma greve que deixou 9 mil alunos sem aulas. Um ato público foi realizado, debaixo de chuva, quando os professores acusarama reitoria de tentar boicotar o movimento ao parar o portão de entrada da universidade para manutenção.
A vice-reitora da Uesc, Adélia Pinheiro, diz que os fatos são coincidentes, já que a manutenção estava programada pela pro-reitoria de Administração. “Respeitamos a greve, que é instrumento para o trabalhador demonstrar sua insatisfação como patrão”, destacou Adélia Pinheiro. A greve, que atinge três das quatro universidades estaduais, segundo o presidente da Associação dos Docentes da Uesc, Walter Silva, repudia a cláusula do governo, que congela os salários dos professores pelos próximos quatro anos.
A vice-reitora da Uesc, Adélia Pinheiro, diz que os fatos são coincidentes, já que a manutenção estava programada pela pro-reitoria de Administração. “Respeitamos a greve, que é instrumento para o trabalhador demonstrar sua insatisfação como patrão”, destacou Adélia Pinheiro. A greve, que atinge três das quatro universidades estaduais, segundo o presidente da Associação dos Docentes da Uesc, Walter Silva, repudia a cláusula do governo, que congela os salários dos professores pelos próximos quatro anos.
Cachorro ataca aluna no campus da Ufba
A estudante de ciência e tecnologia Verônica Luana Silva Macedo, 20 anos, deve mover uma ação judicial contra o diretor do Instituto de Humanidades, Artes & Ciências Professor Milton Santos (Ihac), da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Sérgio Farias, por omissão de socorro. Na tarde de anteontem, ela foi atacada por um cão que vive no Campus de Ondina e alega que só teve apoio de colegas. Por volta das 15h45, a vítima estava sentada em um banco na frente do Instituto de Biologia quando o cachorro, conhecido como Ihac, pois vive na região do instituto, se aproximou. “Alguns amigos brincaram com ele antes, pois todo mundo conhece ele. Eu fiquei mais afastada, pois tenho medo. Mas, de repente, ele veio em minha direção e eu coloquei o braço nafrente”, disse Verônica. De acordo com a mãe da estudante, a assistente de pós-graduação Elissandra Silva, 38 anos, foi necessário esperar quatro horas pelo atendimento. “Os colegas a levaram para o posto no Canela e não tinha vacina. No 5º Centro de Saúde, disseram que não tinha ortopedista”.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Serristas propõem rodízio para o comando do PSDB
Com o aval do ex-governador José Serra (PSDB), aliados deflagram uma operação para pressionar pela adoção de um rodízio na presidência tucana, numa tentativa de recuperar espaço dentro do partido. A renovação do comando está marcada para o dia 28 de maio e, hoje, a tendência é reeleger o deputado Sérgio Guerra (PE). O grupo liderado por Serra está inconformado e insiste em implantar a rotatividade na presidência do partido: um ano, ficaria nas mãos de aliados do senador Aécio Neves (MG) e, no ano seguinte, com um representante dos serristas. A ideia, defendida pelo governador paulista Geraldo Alckmin, ganhou força após Serra passar os últimos dois dias em Brasília. É vista como uma solução com o fracasso das articulações para colocá-lo no conselho político a ser criado pelo PSDB. No fim de semana passado, em reunião dos oito governadores do PSDB, em Belo Horizonte, foi aprovada proposta de criar um “órgão de assessoramento” que não disputaria espaço com a direção partidária.
sábado, 26 de março de 2011
Deputados paulistas querem dobrar quantidade de assessores
Os deputados estaduais paulistas resolveram dobrar o número de assessores que podem ser contratados para trabalhar em seus gabinetes na Assembleia Legislativa. Projeto de lei apoiado pela Mesa Diretora e por líderes de todos os partidos com representação na Assembleia, com exceção do PSOL, permite que cada gabinete contrate até 32 funcionários comissionados. Atualmente, o máximo permitido é 16. Se todos os 94 deputados que compõem a Assembleia usarem a cota máxima a que terão direito, o número de assessores comissionados em seus gabinetes saltará de 1.504 para 3.008. A verba que cada gabinete recebe para pagamento de salários, atualmente R$ 94,8 mil mensais, não será aumentada. Os deputados que quiserem contratar mais assessores terão de pagar salários menores.
Advogado que apoiou nepotismo reassumirá cargo no Senado
Exonerado há quase três anos da Advocacia-Geral do Senado por defender o nepotismo na Casa, o advogado Alberto Cascais vai reassumir a função a pedido do senador José Sarney (PMDB-AP). A indicação vai ser oficializada na semana que vem. O cargo está vago desde janeiro. Procurado, Cascais não foi encontrado para comentar a indicação.
Ataque-surpresa abala tráfico em quatro bairros
Militares estão se revezando na ocupação das comunidades no complexo do Nordeste de Amaralina – que inclui ainda os bairros de Santa Cruz, Vale das Pedrinhas e Chapada do Rio Vermelho – iniciadana madrugada de ontem, em uma megaoperação de combate ao tráfico de drogas. Na ação, o homem apontado pela polícia como o gerente do tráfico de drogas na região, Luís Fernando da Anunciação Cruz, conhecido como Camisinha, foi morto. Outros dois homens, Aldenir dos Santos Costa, 21 anos, e Tiago Coitinho Macedo da Silva, de 22, também acabaram mortos na ação. A polícia apresentou uma pistola e dois revólveres (calibres 32 e 38).
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